Após meses de debates com representantes da segurança pública, educação, assistência social, sociedade civil e instituições religiosas, a Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) concluiu nesta segunda-feira (08) sua fase de reuniões. Criada para discutir medidas de enfrentamento à violência contra a mulher e contribuir para a redução dos casos de feminicídio no estado, a comissão agora trabalha na elaboração do relatório final que servirá de base para futuras políticas públicas e propostas legislativas.

Presidente da comissão, o deputado estadual Gilberto Cattani destacou que um dos principais diferenciais do trabalho foi ampliar o debate para além das áreas tradicionalmente envolvidas no tema, ouvindo diferentes setores da sociedade na busca por soluções mais abrangentes e efetivas.
“Nós temos muitas ações e iniciativas voltadas à defesa da mulher, mas nada foi comparado a essa comissão. Geralmente, quando se fala em proteção da mulher, os setores ouvidos são apenas os da segurança pública, que é justo, mas aqui nós fomos além. Debatemos desde a parte da segurança até a parte governamental, estrutural, educacional e agora da área religiosa. Nunca houve algo assim em uma comissão”, afirmou.
Ao longo dos trabalhos, a comissão promoveu reuniões com representantes das forças de segurança, Poder Executivo, especialistas da área, entidades da sociedade civil e lideranças religiosas. Também participaram das discussões o deputado estadual Carlos Avalone, membro da comissão, a vereadora por Cuiabá Maria Avalone e a tenente-coronel Ludmila Eickhoff, coordenadora de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da Polícia Militar de Mato Grosso.
Para Cattani, ouvir diferentes segmentos permite compreender melhor as causas da violência e construir respostas mais eficazes para proteger as mulheres. “Tenho certeza de que não podemos deixar nenhum setor da sociedade fora desse debate. Quando reunimos diferentes visões sobre o problema, conseguimos construir propostas mais completas e efetivas”, disse.
A última reunião teve como foco a participação das instituições religiosas e focou em buscar soluções de apoio às mulheres que sofrem violência. Representando a Igreja Católica, o padre Pedro Faustino destacou o papel da fé, do respeito e dos valores familiares na prevenção da violência.
“A resposta para esse problema passa pelo amor ao próximo, pelo respeito e pela capacidade de servir uns aos outros. Quando o egoísmo se instala, surgem as condições para que a violência aconteça”, afirmou.
Representando as igrejas evangélicas, o pastor Gutto Martins defendeu que o enfrentamento à violência exige mudanças que alcancem a estrutura familiar e o comportamento social.
“Estamos diante de um problema estrutural. Quando a família deixa de funcionar adequadamente, os reflexos aparecem em toda a sociedade. Por isso, é importante promover esse debate e provocar transformações que alcancem as pessoas na sua realidade diária”, pontuou.
A delegada Mariell Antonini, chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Mato Grosso, avaliou que a comissão acertou ao reunir diferentes segmentos da sociedade para discutir o tema. “Essa união de esforços é que vai fazer a diferença. A Assembleia trouxe um diálogo muito interessante entre Legislativo, Executivo e sociedade civil, e agora também o papel da religiosidade. Foi possível perceber a evolução das instituições religiosas em relação a essa temática, incentivando as mulheres a buscarem apoio e a romperem o ciclo …




















