sábado 23, maio 2026

Líderes, cuidado ao generalizar comportamentos

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Um dos erros mais comuns na atuação de lideranças é punir o coletivo por falhas individuais. Essa prática, muitas vezes adotada por pressa, desconforto em confrontar ou tentativa de “dar o recado”, gera um efeito contrário ao esperado: desengajamento, sensação de injustiça e perda de confiança.

O que muitas vezes não se fala é o quanto essa decisão é difícil para o líder. Identificar se um comportamento deve ser corrigido de forma individual ou coletiva exige leitura de contexto, maturidade emocional e responsabilidade. Nem sempre o problema é óbvio, e a linha entre falha individual e falha sistêmica pode ser tênue.

Comportamentos inadequados têm autor. E quando o líder escolhe corrigir todos por causa de um, transmite uma mensagem perigosa: aqui, o esforço individual não é reconhecido e a responsabilidade se dilui. O time passa a trabalhar na defensiva, mais preocupado em evitar punições do que em entregar resultados.

Mas como o líder pode identificar quando a correção deve ser individual ou coletiva?

A correção é individual quando:

  • O comportamento parte claramente de uma pessoa ou de poucas pessoas;
  • Não há evidência de que o erro seja consequência de falha de processo, comunicação ou diretriz;
  • O restante do time cumpre os combinados estabelecidos.

Nesses casos, a abordagem coletiva não educa. Ela expõe quem não errou e protege quem deveria ser responsabilizado — e o líder, muitas vezes, faz isso para evitar o desconforto de uma conversa direta.

A correção é coletiva quando:

  • O mesmo comportamento se repete entre diferentes pessoas;
  • Existem falhas de processo, metas mal definidas ou falta de clareza nas orientações. 
  • A cultura ou a liderança anterior normalizou práticas inadequadas.

Aqui, o líder precisa reconhecer que o problema não está apenas nas pessoas, mas no sistema que permitiu aquele comportamento.

É compreensível que líderes tenham dificuldade em decidir qual caminho seguir. A pressão por resultados, o medo de conflitos e o desejo de manter um bom clima levam, muitas vezes, à escolha mais fácil — e não à mais justa. Mas liderar não é escolher o caminho confortável, é escolher o caminho responsável.

Líderes eficazes desenvolvem essa habilidade com prática, autoconhecimento e coragem para conversas individuais difíceis. Eles entendem que desenvolvimento acontece no diálogo direto, claro e respeitoso — e que corrigir coletivamente um erro individual é abdicar do papel de liderança.

Por Tatiane Wiggers 

Psicologia Organizacional
ConGer Contabilidade

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