A saúde mental no trabalho deixou de ser apenas um tema de bem-estar para se tornar também uma questão de gestão e responsabilidade organizacional. O aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais no Brasil ajuda a explicar essa mudança.
Dados recentes da Previdência Social indicam que mais de 470 mil trabalhadores foram afastados por ansiedade, depressão e outros transtornos mentais em 2024, e o número ultrapassou 540 mil afastamentos em 2025, o maior da série histórica recente. Esse cenário evidencia que o sofrimento psíquico no ambiente de trabalho não é um fenômeno isolado, mas um desafio crescente para empresas e gestores.
Nesse contexto, a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) representa um marco importante. A norma estabelece diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho e passou a incluir formalmente os riscos psicossociais no processo de gestão de riscos ocupacionais das organizações, dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Isso significa que fatores relacionados à organização do trabalho também precisam ser identificados e gerenciados, assim como já ocorre com riscos físicos, químicos ou ergonômicos. Entre os principais riscos psicossociais estão excesso de carga de trabalho, metas inalcançáveis, jornadas prolongadas, conflitos interpessoais e assédio moral.
Para atender às exigências da norma, o primeiro passo é realizar um mapeamento dos fatores psicossociais presentes na organização. Esse diagnóstico pode ser feito por meio de pesquisas de clima, questionários específicos sobre saúde mental, análise de indicadores como absenteísmo e afastamentos, além de entrevistas ou grupos de escuta com colaboradores.
A partir desse diagnóstico, as empresas podem estruturar ações mais eficazes de promoção da saúde e prevenção do adoecimento. Entre as iniciativas possíveis estão capacitação de lideranças para uma gestão mais saudável das equipes, programas de apoio psicológico, canais seguros para denúncia de assédio, políticas de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e ações educativas sobre gestão do estresse e saúde emocional.
Mais do que atender a uma exigência normativa, a gestão dos riscos psicossociais representa uma oportunidade para as organizações revisarem práticas, fortalecerem ambientes de trabalho mais saudáveis e promoverem maior engajamento das equipes.
A atualização da NR-1 sinaliza uma mudança importante: cuidar da saúde mental no trabalho deixou de ser apenas uma boa prática e passou a ser também uma responsabilidade organizacional.
Por Tatiane Wiggers
Psicologia Organizacional
ConGer Contabilidade















