quinta-feira 23, abril 2026

Quando o ambiente de trabalho deixa de ser saudável e como reconhecer isso? Assédio Moral

O tema do assédio moral dentro das empresas ainda gera muitas dúvidas e, em alguns casos, até confusão entre o que é uma prática abusiva e o que faz parte de uma gestão legítima. Falar sobre isso é essencial, principalmente em um cenário onde saúde mental e ambiente organizacional passaram a ser prioridade.

Mas, afinal, o que é assédio moral?

Assédio moral é toda conduta abusiva, repetitiva e intencional que expõe o trabalhador a situações humilhantes, constrangedoras ou que afetam sua dignidade e integridade psicológica. Ele não acontece em um episódio isolado, é um comportamento contínuo, que se repete ao longo do tempo e causa desgaste emocional.

Na prática, o assédio moral pode se manifestar de diferentes formas. Alguns exemplos comuns dentro das empresas incluem:

  • Expor um colaborador ao ridículo na frente de colegas, com críticas ofensivas ou ironias constantes;
  • Ignorar deliberadamente a pessoa, isolando-a do grupo ou omitindo informações importantes para seu trabalho;
  • Estabelecer metas impossíveis de serem cumpridas com o objetivo de desestabilizar emocionalmente;
  • Retirar atividades sem justificativa ou, ao contrário, sobrecarregar de forma desproporcional;
  • Ameaças frequentes de demissão como forma de controle;
  • Questionar constantemente a capacidade profissional de forma destrutiva, e não construtiva.

Essas atitudes, quando recorrentes, vão além de uma falha de comunicação ou de gestão, elas afetam diretamente a autoestima, a segurança e o desempenho do profissional.

Por outro lado, é importante também trazer clareza sobre o que não é assédio moral, porque nem toda situação desconfortável no trabalho se enquadra como tal.

Não é assédio moral:

  • Cobrança por resultados, quando feita de forma respeitosa e alinhada às responsabilidades do cargo;
  • Feedbacks corretivos, mesmo que desconfortáveis, quando têm como objetivo o desenvolvimento;
  • Aplicação de medidas disciplinares previstas, como advertências ou suspensões, quando necessárias;
  • Exigência de cumprimento de metas realistas e previamente acordadas;
  • Um conflito pontual entre colegas ou líder e liderado.

Ou seja, gestão exige direcionamento, acompanhamento e, muitas vezes, correção de rota. O problema não está na cobrança, mas na forma, na intenção e na frequência com que ela acontece.

Por Tatiane Wiggers
Psicologia Organizacional
ConGer Contabilidade

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