Um morador de Campo Verde denunciou ao Plantão da Notícia uma série de dificuldades enfrentadas no atendimento público de saúde após o filho, de apenas 1 ano e 10 meses, desenvolver um quadro grave de pneumonia, sofrer derrame pleural e permanecer internado por 18 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica da Santa Casa de Rondonópolis.
Segundo o pai da criança, Weslen Vitor de Almeida, os problemas começaram ainda no fim de fevereiro, logo após o menino iniciar a rotina escolar na creche. Conforme o relato, desde então a criança passou a apresentar episódios frequentes de gripe, febre, vômitos, diarreia e dificuldades respiratórias.

O morador afirma que o menino, identificado como Luis Davi Almeida da Silva, procurou atendimento diversas vezes na rede pública municipal, mas relata que os sintomas eram tratados como virose comum. Segundo ele, em algumas ocasiões a criança chegou a ficar dias sem se alimentar adequadamente.
“Todas as vezes que a gente ia no hospital, diziam que ele não tinha nada. Escutavam o pulmão, falavam que estava limpo e mandavam embora com medicação”, relatou.
Ainda conforme o pai, a família procurou atendimento médico pelo menos seis vezes no Hospital Municipal antes do agravamento do quadro clínico.
Diante da persistência dos sintomas, os pais decidiram buscar atendimento particular. No atendimento privado, segundo a família, exames identificaram alterações que não haviam sido diagnosticadas anteriormente, incluindo influenza, anemia e posteriormente um quadro de pneumonia.

A criança chegou a permanecer internada por quatro dias em unidade particular durante um primeiro tratamento, apresentando melhora temporária. No entanto, cerca de um mês depois, voltou a apresentar piora significativa no quadro respiratório.
Segundo o relato, mesmo após uso de antibióticos prescritos na rede privada, a criança não apresentou melhora. Em nova avaliação médica, o menino foi diagnosticado com pneumonia grave e orientado a retornar imediatamente ao Hospital Municipal para internação.
De acordo com o pai, ao dar entrada na unidade pública no dia 8 de maio, o menino já foi encaminhado diretamente para transferência à Santa Casa de Rondonópolis.
Durante a internação, o quadro clínico se agravou. Conforme documentos médicos apresentados pela família, a criança desenvolveu derrame pleural, anemia severa e precisou passar por transfusão de sangue durante o período em que permaneceu na UTI pediátrica.
“Foi muito complicado. Meu filho quase morreu”, desabafou o pai.
Após 18 dias internado, o menino recebeu alta médica na última quarta-feira e segue em recuperação. Segundo os médicos responsáveis pelo tratamento, a criança necessita de acompanhamento pediátrico especializado, fisioterapia respiratória e tratamento contínuo para anemia pelos próximos meses.

No entanto, a família denuncia novas dificuldades para conseguir continuidade no atendimento pelo sistema público de saúde em Campo Verde.
Conforme o relato, uma consulta pediátrica já agendada para o dia 25 de maio precisou ser cancelada porque a criança ainda estava internada na UTI. Ao buscar o reagendamento no CAISM, os pais afirmam que foram informados de que não havia pediatras disponíveis devido a negociações contratuais entre os profissionais e a Prefeitura.
O pai afirma ainda que tentou atendimento na unidade de saúde do bairro Jupiara, mas teria sido orientado a procurar um especialista, já que o caso exigiria acompanhamento pediátrico específico.
“Ficam jogando a gente de um lado para o outro enquanto ele precisa de acompanhamento urgente”, afirmou.
Segundo a família, a situação tem gerado preocupação, já que o menino precisa passar por nova avaliação médica poucos dias após a alta hospitalar para monitoramento do pulmão e evolução do quadro clínico.
Além da situação envolvendo o filho, o morador também relatou dificuldades no atendimento obstétrico da esposa, que está grávida de oito meses e, segundo ele, também enfrenta problemas para conseguir acompanhamento especializado na rede pública.
A família afirma que voltou a procurar atendimento particular, mas relata dificuldades para encontrar vagas na cidade. Segundo o pai, algumas consultas particulares só estariam disponíveis a partir do mês de agosto.
O caso reacende o debate sobre a estrutura da saúde pública no município, principalmente em relação ao atendimento pediátrico especializado e à continuidade do acompanhamento médico após altas hospitalares de casos graves.
Especialistas alertam que sintomas persistentes como febre contínua, dificuldade respiratória, cansaço excessivo, vômitos recorrentes e recusa alimentar em crianças pequenas devem receber atenção imediata e acompanhamento médico rigoroso.
O Plantão da Notícia foi procurado pelo pai no final do último mês, mas somente uma semana depois conseguiu trazer as respostas das autoridades.
A Prefeitura Municipal de Campo Verde, enviou uma nota em nome da Secretaria de Saúde:
Nota à imprensa
A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Verde, informa que o paciente recebeu todo o atendimento necessário por parte da Saúde Pública Municipal.
Informa ainda que o paciente foi atendido na Unidade Básica de Saúde nesta terça-feira (2), com agendamento de retorno para 15 dias, no entanto, a mãe afirmou não ser necessário esse tempo e pediu que o retorno fosse para 30 dias.
Em relação à falta de pediatra, a reclamação feita pelo pai do paciente não procede. Entre janeiro e 25 de junho, os profissionais dessa especialidade médica atenderam normalmente. Somente a partir data citada acima teve início o processo para novo credenciamento dos profissionais.
Salienta ainda que toda assistência médica ao paciente está sendo ofertada e que, em caso de emergência, os casos são encaminhados para atendimento no Hospital Municipal Coração de Jesus, que é administrado pelo Instituto Social São Lucas.
Em relação à mãe do paciente, ela tinha consulta agendada para o dia 15 de maio. No entanto, devido ao problema de saúde do filho, não pode comparecer. No dia 1 de junho, o esposo da paciente procurou o Complexo de Atendimento Especializado Cyrio Schenkel para falar sobre a situação dela, ocasião em que foi prontamente acolhido e orientado.
A Secretaria Municipal de Saúde afirma ainda que o atendimento a gestantes de alto risco se manteve normalmente entre janeiro e maio de 2026 e que o processo de credenciamento de profissionais especializados não comprometerá o atendimento às grávidas em final de gestação e às gestantes de alto risco. Providências necessárias para garantir a continuidade e a regularidade dos atendimentos a essa demanda estão sendo adotadas.
Assessoria de Comunicação -PMCV
Procuramos também a assessoria de imprensa do Instituto Social de Saúde são Lucas, que também nos enviou uma nota:
Ao Plantão da Notícia,
O Instituto Social de Saúde São Lucas lamenta a situação enfrentada pela criança e sua família, especialmente diante da gravidade do quadro clínico relatado.
Embora a reportagem relate que os primeiros sintomas surgiram no fim de fevereiro, os registros do Hospital Municipal Coração de Jesus indicam que o primeiro atendimento da criança na unidade ocorreu em 13 de março.
Conforme análise do prontuário médico, os atendimentos realizados no hospital ocorreram nos dias 13, 15 e 27 de março. Em todas as ocasiões, as queixas registradas estavam relacionadas a episódios de vômito e diarreia.
Durante a assistência prestada, a criança foi avaliada pela equipe médica, recebeu as condutas indicadas para o quadro apresentado e realizou exames complementares. Entre eles, um raio-X de abdômen, realizado em diferentes posições, sem evidências de derrame pleural, além de ultrassonografia abdominal em 27 de março, que também não apontou alterações. Após o atendimento realizado em 27 de março, não há novos registros de atendimento da criança na unidade até seu retorno ao hospital no mês de maio.
Na ocasião, o paciente já apresentava quadro de pneumonia extensa associada a derrame pleural, sendo regulado e encaminhado para a unidade de referência para continuidade do tratamento. As informações acima são baseadas nos registros assistenciais constantes no prontuário do paciente, bem como nos exames realizados durante os atendimentos, e se referem exclusivamente à assistência prestada pelo Hospital Municipal Coração de Jesus.




















