
O uso de anabolizantes e de cigarros eletrônicos tem se destacado como algumas das principais causas de doenças cardíacas em pacientes com menos de 40 anos, afirma o cardiologista Daniel Diehl. De acordo com o médico, cada vez mais jovens têm chegado aos hospitais com quadros de infarto e outras complicações cardiovasculares associadas a essas substâncias.
Ainda que proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, vapes e pods – muitas vezes adotados de forma recreativa – têm ganhado cada vez mais adeptos graças ao aroma mais agradável e sabores variados. Levantamento feito pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) apontou que o consumo quadriplicou entre os anos de 2018 a 2022, com 6 milhões fumantes que já admitiram ter experimentdo o cigarro eletrônico. Já a busca irrefreável pelo “corpo perfeito” vendido pelas redes sociais têm impulsionado o uso de anabolizantes – principalmente por parte das mulheres -, o que têm custado caro à saúde de quem se aventura.
“A gente vê, de maneira palpável, cada vez mais pacientes jovens, com menos de 40 anos, com infarto cardíaco, com derrame cerebral e com doença pulmonar relacionada ao uso do cigarro eletrônico”, relatou Diehl.
Considerado mais agradável, o odor geralmente adocicado dos cigarros eletrônicos estimula o uso em espaços sociais onde o cigarro convencional é malvisto. Como explicou o cardiologista, essa caraterística faz com que os usuários façam o uso até mesmo ambientes fechados.
“Como o cigarro eletrônico não tem o odor característico do cigarro, ele é socialmente mais aceito. Então, a gente vê pessoas em um ambiente fechado, que hoje as pessoas ficam constrangidas em fumar o cigarro convencional, usando aquele cigarro eletrônico porque não gera incômodo em terceiros. Ninguém reclama de ver alguém fumando um cigarro eletrônico, porque não tem aquele odor característico”, explicou.
O cardiologista ainda completou dizendo que tanto o odor quanto os sabores diversos fazem com que as pessoas também traguem mais e acabem utilizando uma “dose maior” em comparação aos fumantes do tabaco tradicional. O médico, porém, alertou que a nicotina – substância psicoativa que pode causar dependência química -, e metais pesados, como ferro, níquel, chumbo, zinco e cobre, também estão presentes no cigarros eletrônicos.
Apesar das diferenças entre os cigarros eletrônicos e convencionais, o especialista afirmou que ainda não é possível afirmar que um pior que o outro. “ É difícil falar qual é pior. Nós estamos falando de duas coisas muito ruins. Classificá-las em melhor ou pior depende do uso de cada indivíduo. É relativo”, concluiu.
O preço do “corpo perfeito”
Hormônios sintéticos, conhecidos como anabolizantes, vem sendo cada vez mais utilizados com finalidades estéticas. Como apontou Diehl, esse comportamento frequente em jovens adultos tem provocado o aparecimento de infartos, derrame cerebral e trombose pulmonar.
Para o especialista, o crescimento do uso excessivo de anabolizantes é impulsionado pela exposição dos supostos corpos perfeitos, o chamado padrão de beleza definido por corpos magros e malhados na redes sociais. Diante disso, aumentam as buscas por reposição hormonal sem necessidade, apenas com o intuito de se sentir mais “bonito”.
“O uso de maneira não recomendada por médicos habilitados para a reposição hormonal traz malefícios ao organismo, ao cérebro, ao coração, pulmão, todo o sistema circulatório. E a gente vê isso cada vez mais na população que busca a reposição hormonal com fins estéticos. Mas não pode buscar a beleza em detrimento da saúde”, afirmou.
O uso de anabolizantes não é algo novo entre os homens, mas Diehl chama a atenção para um novo aspecto desse cenário, com o comportamento se espalhando entre as mulheres – grupo em que, relata, tem notado o crescimento de casos de trombose e infarto.
“A busca desse objetivo do corpo maravilhoso ultrapassa limites fisiológicos e limites saudáveis com a reposição de maneira errada de hormônios. Isso é muito ruim e está, sim, associado a infarto em jovens, derrame cerebral, trombose pulmonar, problemas que a gente cada vez mais encontra na nossa prática diária. Antes, a gente via muito em homens. Hoje, com esse famoso ‘chip da beleza’, a mulher está quase se equiparando ao homem”, explicou.
O “chip da beleza” citado pelo médico trata-se do implante anticoncepcinal de gestrinona, que tem capacidades de promover benefícios estéticos, mas é contraindicado para mulheres com sobrepeso, obesidade ou síndrome metabólica.
Apesar da probição do uso de anabolizantes para fins estéticos em abril de 2023 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), para Diehl, a somatória das influências causadas pelas redes sociais com o uso de hormônios de forma indiscriminada e preescrita por médicos não habilitados tem levado as pessoas, sobretudo as mulheres, a desenvolver mais problemas cardiovasculares.
Fonte: canarana.boravermt.com















