sábado 23, maio 2026

Queda nos preços da soja e foco na colheita limitam negociações expressivas em Mato Grosso

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As vendas de soja e milho da safra 2025/26 em Mato Grosso seguem à passos “lentos”. A desvalorização dos grãos é apontada como um dos principais fatores que limitam as negociações. Enquanto o preço do cereal caiu 3,61%, o da oleaginosa recuou 3,96% em relação a dezembro.

As vendas de soja no primeiro mês de 2026 alcançaram 49,49% da produção prevista, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), avanço mensal de 5,34 pontos percentuais em relação a dezembro. Tal progresso está atrelado à necessidade de alguns produtores fazerem caixa.

Apesar das negociações da oleaginosa 2025/26, ressalta o Instituto, estarem à frente do observado na safra 2024/25 no mesmo período de 48,97%, as mesmas ainda estão atrasadas em comparação com a média dos últimos cinco anos de 52,55%.

No que se refere ao valor médio da soja no estado, o indicador encerrou o mês em R$ 104,12 a saca de 60 quilos. De acordo com o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, a expectativa do produtor mato-grossense era que houvesse uma aceleração nas vendas, principalmente, com a entrada da safra ou com o avanço dos preços.

Ele ressalta que o produtor vive um momento em que “está meio que numa encruzilhada”, pois necessita comercializar nos próximos meses, uma vez que “nós não temos espaço” e “desafios”. “Ele precisa fazer caixa também pela necessidade de composição para pagar as contas. E o desafio para tudo isso é essa pressão”.

Rentabilidade em cima da produtividade da soja

Conforme Gauer, o que se tem visto é o produtor mato-grossense “fazer média para baixo”. “Como os preços estão caindo e a comercialização avançando, temos visto uma pressão nas margens. De maneira geral o que temos visto, assim como aconteceu na safra passada, ele vai ser agraciado por uma produtividade melhor do que esperava”.

A expectativa é de que a rentabilidade no campo “melhore um pouco, não por causa de preço, mas por conta de produzir mais”, salienta.

Em relação à safra 2026/27 o relatório do Imea, divulgado nesta segunda-feira (9), mostra que a comercialização da soja atingiu 1,46% da produção prevista, avanço de 0,70 ponto percentual no comparativo mensal. O progresso segue lento no comparativo com as vendas iniciais da temporada 2025/26, que em janeiro de 2025 estavam em 2,65%, e a média histórica de 7,62%.

O ritmo decorre da elevada oferta no mercado e dos preços ainda pressionados. O preço médio da safra 26/27 negociado no mês foi de R$ 102,33 a saca.

Milho “acelerado” ante safra anterior

Quanto à safra 2025/26 de milho 32% dela estava travada em janeiro, foi observado um avanço de 5,49 pontos percentuais, em relação à safra 2024/25 no mesmo período. Naquela época, o estado estava com apenas 26,51% da produção negociada.

Contudo, destaca o Imea, na variação mensal com dezembro a atual temporada apresentou expansão de apenas 2,77 pontos percentuais nas negociações e está atrasada ante os 37,39% da média das últimas cinco safras.

O Instituto pontua que o cenário na comercialização é explicado por um maior foco do produtor na semeadura do cereal.

Em relação ao preço do cereal futuro, houve queda mensal de 3,61%, com média de R$ 44,29 a saca negociada.

Cotonicultores mais dispostos para negociar

O algodão também apresenta avanços nas vendas. Em janeiro a comercialização de pluma safra 2025/26 atingiu 54,81% da produção projetada, representando um avanço mensal de 8,10 pontos percentuais no comparativo mensal. O resultado decorre de os cotonicultores estarem mais dispostos em negociar em meio ao avanço do plantio.

Quando comparado com o ciclo 2024/25 no período analisado observa-se que as atuais vendas estão 5,99 pontos percentuais à frente. Em contrapartida, assim como na soja e no milho, está atrás da média histórica de 55,90%.

Em relação a temporada 2026/27, o Imea trouxe a primeira divulgação de comercialização, que alcançou 5,35% da produção prevista de pluma. Desta forma, as negociações se encontram 1,96 ponto percentual adiantadas quando comparadas às do mesmo período da safra 2025/26, porém 2,16 pontos percentuais atrás no comparativo com a média dos últimos cinco anos.

Fonte: canalrural.com.br

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