sábado 18, abril 2026

Mulheres no mundo do trabalho: competência comprovada, desigualdade persistente

Na semana do Dia Internacional da Mulher, é impossível não reconhecer: avançamos muito em formação, qualificação e presença no mercado. No entanto, pesquisas globais de organismos como OIT, Fórum Econômico Mundial e McKinsey mostram que ainda somos minoria nos cargos de alta liderança e seguimos recebendo salários menores mesmo quando ocupamos as mesmas funções que homens.

Essa desigualdade não se explica por competência, mas por fatores estruturais: vieses inconscientes, menor acesso a redes de influência e penalizações de carreira relacionadas à maternidade. À medida que subimos na hierarquia, o funil se estreita — e a presença feminina diminui.

Há ainda um aspecto cultural pouco discutido: o duplo padrão de julgamento. Homens que extrapolam comportamentos inadequados muitas vezes continuam sendo vistos como influentes e negociadores fortes. Já as mulheres, diante de qualquer deslize de imagem, são rapidamente questionadas, descredibilizadas ou excluídas de oportunidades. Enquanto eles são avaliados principalmente por resultados, nós ainda somos avaliadas também por comportamento, aparência e postura.

Falar sobre igualdade no trabalho é, portanto, falar sobre acesso a liderança, justiça salarial e mudança cultural. Empresas mais diversas tomam melhores decisões e têm resultados mais sustentáveis — a presença feminina na liderança não é pauta simbólica, é estratégia organizacional.

Que essa semana sirva menos para homenagens vazias e mais para compromissos concretos: corrigir distorções salariais, rever critérios de promoção e combater vieses que ainda limitam o avanço feminino. Igualdade não é concessão. É justiça, inteligência e desenvolvimento.

Por Tatiane Wiggers

Psicologia Organizacional
ConGer Contabilidade

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