quarta-feira 29, abril 2026

Caso de raiva animal é confirmado em Campo Verde após cinco anos sem registros e acende alerta no município

Depois de cinco anos sem nenhum registro de raiva animal, um novo caso da doença foi confirmado no município de Campo Verde, acendendo o alerta entre produtores rurais e autoridades sanitárias. A confirmação ocorreu após a morte de um cavalo que apresentou sintomas compatíveis com a enfermidade, considerada grave e de alto risco por também poder ser transmitida aos seres humanos.

A reportagem do Plantão da Notícia foi em busca de informações para entender quais medidas estão sendo sendo adotadas e como a população pode se prevenir.

Em entrevista, a médica veterinária do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (INDEA), Milena VandonI, explicou que o órgão acompanhou a evolução clínica do animal e realizou a coleta de material para exames laboratoriais.

“Teve esse foco de raiva em um equino que adoeceu. A gente acompanhou toda a evolução da doença e fizemos a coleta do material para análise. Veio resultado positivo e a gente abriu o foco”, explicou.

Com a confirmação do caso, foi estabelecido um perifoco com raio de 12 quilômetros ao redor da propriedade onde o animal estava.

Segundo Milena, dentro dessa área estão localidades como o Assentamento Taperinha, Capim Branco, Sol de Verão, 14 de Agosto, 4 de Outubro, além de propriedades às margens da BR-070, tanto no sentido São Vicente quanto no sentido Primavera do Leste.

“Atualmente temos duas equipes em campo notificando os produtores dessas regiões. Pedimos para que esses produtores procurem o INDEA para verificar se estão dentro do perifoco, providenciem a vacina e façam a vacinação o quanto antes. Quanto mais rápido a gente agir, mais rápido conseguimos encerrar esse foco”, destacou.

Apesar de a vacinação contra a raiva não ser obrigatória no município, a orientação do órgão é para que os produtores mantenham a imunização dos animais em dia.

A veterinária explicou que a ausência de casos nos últimos anos pode ter levado alguns produtores a relaxarem nos cuidados preventivos.

“A gente estava há mais de cinco anos sem foco de raiva em Campo Verde. Como o produtor vê que não está tendo doença, ele acaba relaxando e para de vacinar. E é nesse momento que a doença aparece novamente. Na verdade, ela nunca deixou de existir, mas quando o animal está imunizado ele não desenvolve a doença”, afirmou.

O principal transmissor da raiva na zona rural é o morcego hematófago, conhecido por se alimentar de sangue de outros animais. Segundo o INDEA, esses morcegos vivem em colônias e podem migrar para diferentes regiões, utilizando como abrigo ocos de árvores, pontes, casas abandonadas e cavernas.

Nos casos em que o produtor perceber sinais de mordidas ou “sugaduras” nos animais, é possível utilizar pastas vampiricidas. Em situações mais graves, com grande quantidade de morcegos na propriedade, o produtor pode solicitar ao INDEA uma avaliação para possível captura e controle populacional.

“Se o produtor sabe de uma casa abandonada ou algum abrigo com muitos morcegos, ele pode comunicar o INDEA para fazermos o cadastramento e avaliação do local”, explicou Milena.

Mesmo com a confirmação do foco, não há bloqueio total para a pecuária do município. Animais destinados ao abate continuam sendo transportados normalmente. Já propriedades localizadas dentro do raio de 12 quilômetros precisam comprovar a vacinação dos animais antes de realizar a movimentação para venda ou participação em eventos e provas esportivas.

A obrigatoriedade da vacinação dentro do perifoco vale principalmente para bovinos e equinos.

Outro ponto de atenção é o risco à saúde humana. A raiva é uma zoonose e pode ser transmitida às pessoas por meio do contato com animais infectados.

Os principais sintomas em animais incluem alterações neurológicas, comportamento agressivo ou estranho, dificuldade para se locomover, incapacidade de se levantar e o pescoço projetado para trás.

Ao identificar qualquer um desses sinais, a orientação é não manipular o animal, isolá-lo dos demais, manter cães, gatos, crianças e idosos afastados e acionar imediatamente o INDEA.

A Secretaria Municipal de Saúde também foi notificada e já iniciou ações preventivas voltadas à saúde humana, além do reforço na vacinação de cães e gatos.

As autoridades reforçam a importância da prevenção e da comunicação imediata em casos suspeitos para evitar novos registros da doença no município.

 
 

 

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