O avanço da colheita do milho de segunda safra em Mato Grosso ocorre sob um cenário de forte pressão econômica para os produtores rurais. O aumento no preço do diesel, que já chega a até 30% em comparação ao ano passado, tem elevado significativamente os custos operacionais no campo, impactando diretamente atividades essenciais como a colheita e o transporte da produção.
Além da alta nos combustíveis, o setor enfrenta outro desafio: a queda no preço do milho no mercado. Essa combinação reduz a margem de lucro dos agricultores e limita a capacidade de investimento para a próxima safra, acendendo um sinal de alerta em todo o agronegócio estadual.
De acordo com lideranças do setor, o impacto do diesel tende a ser ainda mais sentido neste período, já que muitos produtores utilizavam estoques adquiridos anteriormente, durante o plantio. Com o fim dessa reserva, os custos atuais passam a refletir diretamente no bolso. “A colheita encareceu e não há como reduzir esse gasto. As máquinas precisam operar da mesma forma”, destacam representantes do segmento.

O peso do combustível é expressivo. Em propriedades de médio e grande porte, o consumo pode chegar a dezenas de milhares de litros durante a colheita, o que amplia ainda mais os efeitos da alta nos preços. Estimativas apontam que o litro do diesel pode estar até R$ 1,50 ou R$ 1,70 mais caro em relação ao mesmo período do ano passado.
A logística de escoamento também deve sofrer reajustes, encarecendo o transporte da safra até os centros de distribuição e portos. Esse cenário agrava a situação financeira dos produtores, que já lidam com a desvalorização das commodities agrícolas.
Dados do setor indicam ainda que os custos de produção para a próxima safra devem subir, impulsionados pelo aumento nos preços de insumos, como fertilizantes, e pela redução no valor de comercialização dos grãos. Em alguns casos, a alta pode chegar a cerca de 15%.
Diante desse panorama, produtores de Mato Grosso seguem atentos às oscilações do mercado e buscam alternativas para manter a sustentabilidade das atividades. No entanto, o momento exige cautela, planejamento e adaptação para enfrentar um ciclo que se mostra mais desafiador para o agronegócio.

















