sexta-feira 22, maio 2026

Técnica de enfermagem denuncia sobrecarga de trabalho e pressão psicológica na rede pública de saúde de Campo Verde

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Uma técnica de enfermagem da rede municipal de saúde de Campo Verde procurou o Ministério Público Estadual para denunciar uma suposta situação de sobrecarga de trabalho enfrentada por profissionais da área da saúde no município. A denúncia foi protocolada na última sexta-feira, dia 15, e ganhou repercussão após a servidora conceder entrevista ao Plantão da Notícia relatando problemas que, segundo ela, vêm ocorrendo há meses nas unidades de atendimento. 

Atualmente lotada na Unidade Básica de Saúde do Jupiara/Bordas do Lago, a servidora afirmou que o número reduzido de profissionais tem causado desgaste físico e emocional tanto nos trabalhadores quanto impactos diretos no atendimento à população. 

Segundo o relato, a principal reclamação não está relacionada à quantidade de atendimentos, mas à falta de profissionais para suprir a demanda crescente da região atendida pela unidade. 

A técnica, Ana Paula Soares, relatou ainda que sofre consequências psicológicas devido à rotina intensa de trabalho. Conforme contou, ela realiza acompanhamento psicológico há cerca de quatro anos e teria desenvolvido síndrome de burnout em decorrência da sobrecarga enfrentada em unidades onde atuou anteriormente. Recentemente, precisou ser afastada das funções por 21 dias após crises de ansiedade e também passou a realizar tratamento psiquiátrico. 

Durante a entrevista, a servidora afirmou que outros colegas também estariam sobrecarregados e enfrentando dificuldades emocionais, mas muitos evitariam procurar ajuda ou expor a situação. 

Ela também destacou problemas estruturais e operacionais enfrentados nas unidades básicas de saúde. Segundo a denúncia, pacientes que deveriam receber atendimento hospitalar acabam sendo encaminhados novamente para os postos de saúde, mesmo em situações que exigiriam maior suporte técnico e equipamentos específicos. 

De acordo com a profissional, as unidades atendem uma grande quantidade de bairros e a demanda diária tem dificultado até mesmo pausas durante o expediente. A servidora afirmou ainda que tentou buscar apoio junto a vereadores e à administração municipal ao longo dos últimos meses, mas sem retorno efetivo. 

Outro ponto citado pela técnica de enfermagem diz respeito à reivindicação salarial da categoria. Segundo ela, profissionais protocolaram em 2023 um pedido de reunião com o prefeito para discutir a aplicação da Lei Federal nº 14.434/2022, que trata do piso nacional da enfermagem, mas alegam que não foram recebidos até o momento. 

A servidora também afirmou que existe receio entre alguns funcionários em denunciar publicamente as condições de trabalho por medo de represálias ou pressões internas. 

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Campo Verde, que encaminhou nota oficial sobre o assunto. 

No posicionamento, a Secretaria Municipal de Saúde informou que ainda não havia sido oficialmente notificada pelo Ministério Público sobre a denúncia, mas declarou ter tomado conhecimento do caso por meio da imprensa. A administração municipal afirmou que as alegações apresentadas pela servidora “não procedem” e destacou que o quadro de técnicos de enfermagem estaria completo, sem falta de profissionais nas unidades. 

A Prefeitura informou ainda que, em casos de afastamentos ou férias, são realizados ajustes nas escalas de trabalho, alegando que a legislação não permite contratação temporária para períodos curtos, como 30 dias. 

Sobre a questão salarial, a administração municipal afirmou que os vencimentos pagos aos técnicos de enfermagem em Campo Verde estão acima do piso nacional estabelecido pela legislação federal. Segundo a nota, atualmente o município paga R$ 3.998 para jornada de 40 horas semanais, enquanto o piso nacional da categoria é de R$ 3.325 para 44 horas semanais. 

A denúncia foi oficialmente protocolada no Ministério Público Estadual, que agora deverá analisar o conteúdo apresentado para decidir se há elementos suficientes para abertura de procedimento investigativo ou eventual ação judicial. 

O caso reacende o debate sobre as condições de trabalho dos profissionais da saúde pública e os desafios enfrentados pelas unidades de atendimento diante da alta demanda nos municípios. 

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